Após mais de duas décadas, o destino recoloca frente a frente dois rubro-negros marcados por glórias, tragédias e um passado que ainda sangra.
O futebol, às vezes, é um teatro de controvérsias. E neste palco chamado Copa do Brasil, o Vitória volta a encarar o Flamengo após 22 anos — como se o tempo fosse apenas uma ilusão barata e o passado insistisse em cobrar sua conta. O sorteio da quinta fase não foi um evento: foi um reencontro com fantasmas.
O duelo de ida está previsto para o dia 22 de abril, no Maracanã. A volta, no dia 13 de maio, no Barradão — esse templo onde o improvável costuma pedir licença para acontecer. E é justamente aí que mora o drama: o Vitória decide em casa, mas carrega nas costas um retrospecto que mais parece uma sentença.
Foram seis jogos em três confrontos eliminatórios. E o que se vê é uma espécie de ironia trágica: o Vitória venceu apenas uma vez — justamente na primeira batalha, em 1998, quando aplicou um 5 a 0 histórico. Um massacre. Um escândalo. Um daqueles placares que fazem o torcedor acreditar que o mundo pode, sim, ser justo.
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Mas o futebol não gosta de justiça — gosta de drama. No jogo de volta, o Flamengo quase reescreveu a história com Romário marcando quatro gols, como um carrasco elegante. O Vitória avançou, é verdade. Mas ali nasceu a dúvida eterna: até onde vai a vantagem quando o adversário é o destino?
Depois disso, o que se viu foi uma sequência cruel. Em 2003 e 2004, o Flamengo eliminou o Vitória com uma frieza quase cirúrgica. Como um algoz que não precisa gritar — apenas executar. O placar agregado da história diz tudo: 13 a 9 para os cariocas.
📊 Retrospecto do Confronto
Jogos: 6
Vitórias do Vitória: 1
Vitórias do Flamengo: 5
Aproveitamento do Vitória: 16,7%
Aproveitamento do Flamengo: 83,3%
Placar agregado: 13 x 9 Flamengo
E, no entanto, há algo que os números não explicam. O Vitória é, ao lado do Atlético-MG, o clube com mais participações na Copa do Brasil: 37 ao todo. Um veterano de guerra. Um sobrevivente. Mas, paradoxalmente, um gigante que nos últimos anos tem tropeçado nas próprias sombras.
Desde 2021, o clube tem acumulado mais quedas do que ascensões. Em cinco edições recentes, são apenas cinco vitórias em quinze jogos. Um aproveitamento que não assusta ninguém — exceto o próprio torcedor, que vive entre a esperança e o pressentimento.
Mas o futebol — esse canalha — adora contrariar as estatísticas. E o Barradão, ah, o Barradão... é um território onde a lógica costuma ser vaiada. Onde o improvável se levanta, ajeita a camisa e decide jogar.
O confronto contra o Flamengo não é apenas mais um jogo. É um ajuste de contas com o tempo. É a chance de transformar memória em revanche — ou confirmar que, no futebol, como na vida, algumas histórias insistem em se repetir como tragédia.
Por Redação — Salvador | Jornal Vitória em Destaque
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