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Vitória segura empate contra o Corinthians, mas Jair Ventura admite: jogar fora continua sendo o calcanhar de Aquiles

Após o empate por 1 a 1 na Neo Química Arena, treinador destaca a competitividade rubro-negra, reconhece as dificuldades como visitante e projeta o confronto com o Athletico-PR no Barradão.

Esporte clube Vitória


O Vitória voltou de São Paulo com um ponto, uma posição relativamente confortável na tabela e a velha pergunta que acompanha a equipe longe de Salvador: por que o futebol que tantas vezes funciona no Barradão perde força quando atravessa a porta de casa? O empate por 1 a 1 com o Corinthians, nesta segunda-feira, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi celebrado por Jair Ventura como um resultado importante diante de um concorrente direto na luta contra o rebaixamento.

Renê colocou o Rubro-Negro em vantagem, mas Yuri Alberto empatou para o time paulista em cobrança de pênalti. O resultado levou o Vitória aos 37 pontos e à 13ª colocação, enquanto o Corinthians chegou aos 33 e permaneceu em 16º lugar. A distância para a zona de rebaixamento aumentou para cinco pontos, mas a dificuldade de vencer fora de casa continua sendo uma sombra persistente na campanha.

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Um ponto que vale mais do que a aparência

Na entrevista coletiva, Jair Ventura não tentou transformar o empate em uma vitória disfarçada. O treinador reconheceu a frustração por ainda não conseguir vencer como visitante, mas lembrou que o Vitória enfrentou um adversário próximo na classificação e conseguiu impedir que ele avançasse na disputa contra a parte inferior da tabela.

“Hoje valeu porque a gente pegou um adversário direto e conseguiu segurar eles lá embaixo. A gente quer vencer fora também, mas temos dez vitórias no campeonato mesmo sem vencer fora. Foi um ponto importante.”

O técnico também questionou o pênalti que originou o gol corintiano, afirmando que a equipe ainda não tinha clareza sobre a decisão da arbitragem. Sem fazer da reclamação o centro de sua análise, preferiu elogiar a entrega dos jogadores e convocar a torcida para o próximo compromisso em Salvador.

“Quero parabenizar minha equipe, que competiu demais”, afirmou. Jair ainda ressaltou que sete equipes estavam abaixo do Vitória na classificação e que a campanha não poderia ser avaliada apenas pela ausência de vitórias longe de casa.

O segundo tempo e a força do adversário

Depois de sair na frente, o Vitória perdeu presença ofensiva na etapa final e passou a encontrar dificuldades para sustentar o jogo. Jair atribuiu parte desse recuo à qualidade do Corinthians e lembrou que o futebol não se joga contra uma versão imóvel do próprio time: do outro lado também há jogadores capazes de mudar o rumo de uma partida.

Para ilustrar a diferença de recursos entre as equipes, o treinador citou o Flamengo, lembrando o poderio financeiro de um clube que, segundo ele, gasta cerca de R$ 50 milhões por mês. A comparação serviu para reforçar seu argumento: mesmo sem finalizar a gol no segundo tempo, o Vitória conseguiu sair de campo com um ponto diante de um adversário que também precisava desesperadamente do resultado.

“O time foi muito competitivo, organizado. A gente teve dificuldade para sustentar o jogo fora de casa, mas foi equilibrado e conseguiu segurar esse ponto importante no confronto direto.”

O calcanhar de Aquiles do Leão

Jair Ventura não escondeu o problema que mais incomoda sua comissão técnica: a diferença de rendimento entre as partidas no Barradão e os compromissos como visitante. O treinador disse que já tentou alternativas táticas, mudanças de jogadores e diferentes ajustes, sem encontrar uma solução capaz de reproduzir longe de Salvador a força demonstrada em casa.

“É o nosso calcanhar de Aquiles, não tenho resposta para dar. A gente tenta alternativas, mudanças táticas, de jogadores, de tudo. Não conseguimos manter a força que temos em casa.”

Apesar do diagnóstico, o técnico defendeu a importância dos resultados conquistados diante da torcida rubro-negra. O Vitória tem dez vitórias em casa, números que, na avaliação dele, ajudam a explicar por que a equipe se mantém à frente de outros concorrentes. Para Jair, não faria sentido trocar as vitórias no Barradão por uma vitória isolada fora de casa: na classificação, os três pontos têm o mesmo valor, independentemente do endereço.

Renê suspenso, mas o ataque tem alternativas

O empate também trouxe uma baixa para o próximo compromisso. Renê, autor do gol rubro-negro, está suspenso e não poderá enfrentar o Athletico-PR. Jair reconheceu a importância do atacante, mas afirmou que dispõe de opções para reorganizar o setor ofensivo. Fabri pode oferecer força física, enquanto Alex surge como alternativa para dar mais presença dentro da área.

O treinador afirmou que a comissão técnica vai estudar o adversário antes de definir a equipe. Também advertiu que a partida será difícil, citando o artilheiro da competição e a capacidade ofensiva do time paranaense. O objetivo, segundo Jair, é conquistar a 11ª vitória do Vitória no campeonato.

Sobre a arbitragem, o técnico disse que já havia comentado o lance do pênalti e preferia não prolongar a discussão. Destacou ainda a consistência do Corinthians, que contou com o retorno de Rodrigo Garro, enquanto o Vitória precisou lidar com a ausência de Cacá. Na avaliação de Jair, a equipe baiana conseguiu manter o equilíbrio mesmo diante dessas circunstâncias.

Seedorf, o Corinthians e as mudanças táticas

Jair Ventura também comentou o encontro com o Corinthians em uma nova fase, agora sob a influência de Clarence Seedorf. O treinador disse conhecer bem o clube paulista, onde foi vice-campeão da Copa do Brasil, e elogiou a trajetória do ex-jogador, com quem trabalhou no Botafogo. Recordou a conquista do Campeonato Carioca e a classificação para a Libertadores durante aquele período, demonstrando confiança de que Seedorf poderá contribuir com o time.

A preparação para o confronto, segundo Jair, exigiu atenção às características individuais dos atletas e aos trabalhos anteriores do novo treinador corintiano. Ele identificou um desenho tático no 4-2-3-1, com Lingard e Vitinho entre as opções ofensivas, além de laterais mais liberados e o retorno de Garro. Ainda assim, avaliou que o Vitória conseguiu neutralizar boa parte dos movimentos do adversário.

O técnico também descartou a ideia de que a crise corintiana tenha influenciado a postura do Vitória. Para ele, a torcida paulista costuma apoiar a equipe durante a partida, e o momento vivido pelo adversário não foi usado como estratégia psicológica. A preocupação esteve no campo: estudar os espaços, controlar os avanços e evitar que a velocidade de Yuri Alberto se transformasse em uma ameaça constante.

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Por que o Vitória diminuiu a pressão

Jair explicou que manter a pressão alta durante todo o jogo poderia abrir espaços perigosos. Yuri Alberto gosta de atacar em velocidade, enquanto Garro encontrou possibilidades nas costas dos volantes. A comissão técnica, por isso, optou por segurar mais Matheuzinho e reduzir a intensidade da pressão no campo ofensivo, buscando evitar que a equipe fosse surpreendida.

As substituições realizadas no fim da partida tiveram o objetivo de renovar o fôlego do time. Erick pediu para sair, Renê estava advertido com cartão amarelo e Matheuzinho já demonstrava cansaço. Jair afirmou que as trocas procuraram dar mais energia à equipe, e não representar uma escolha deliberadamente defensiva.

O treinador insistiu que a proposta inicial era jogar com a bola no chão, construir as jogadas desde a defesa e atacar com um meia e três jogadores de frente. Na sua leitura, o recuo observado em determinados momentos foi consequência das circunstâncias da partida, e não de uma ordem para abandonar o ataque.

Barradão como próxima resposta

Depois de dois compromissos consecutivos como visitante, o Vitória retorna ao Barradão neste sábado para enfrentar o Athletico-PR, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida está prevista para as 16h30, no horário de Brasília. Será a oportunidade de transformar o ponto conquistado em São Paulo em impulso para a reta final da competição.

O empate com o Corinthians não apagou a dificuldade do Vitória longe de casa, tampouco resolveu a luta contra o rebaixamento. Mas ofereceu uma margem um pouco maior e reforçou a importância de cada ponto nesta etapa do campeonato. Para Jair Ventura, o caminho imediato passa por recuperar a força do Barradão e buscar a 11ª vitória.

No futebol, um empate pode ser recebido como alívio ou como aviso. O Vitória saiu de Itaquera com a sensação de ter resistido a um adversário direto, mas também com a certeza de que o problema das partidas fora de casa permanece sem resposta definitiva. Agora, diante de sua torcida, terá a chance de mostrar que o ponto conquistado em São Paulo não foi apenas uma pausa na aflição, mas um passo em direção à permanência na Série A.

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