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| Renê marca o primeiro gol com a camisa do Vitória (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória) |
Há partidas que começam antes do apito. Esta, por exemplo, já nascia com um veredito implícito. O Vitória, diante de sua gente, parecia carregar não apenas a bola, mas uma certeza íntima, quase arrogante: a de que vencer era pouco. Era preciso esmagar.
E assim foi. O 4 a 1 sobre a Juazeirense, pela terceira rodada da Copa do Nordeste, não se explica apenas pelos gols. Explica-se pela atmosfera. Pela sensação de que, a cada toque, o Rubro-Negro escrevia um capítulo inevitável de uma tragédia anunciada — para o adversário.
O primeiro golpe veio cedo, como vêm as más notícias. Numa bola parada, dessas que parecem banais, Renê apareceu. E marcou. Não foi apenas um gol: foi uma revelação. Um atacante que estreia como titular e já balança as redes carrega algo de destino.
GOL DE RENÊ
Depois, o Vitória fez o que fazem os times que sabem da própria força: esperou. E no contra-ataque, como um assassino paciente, encontrou o segundo. Matheuzinho recebeu de Erick e ampliou com a frieza dos que não pedem licença.
A Juazeirense tentou reagir — e aqui mora o drama. Tentou, mas não conseguiu. Chutes de longe, intenções tímidas, ameaças que morriam antes de existir. O melhor momento veio com Rafael Mandacaru, mas foi apenas um suspiro num ambiente já sufocado.
No retorno, o visitante ensaiou uma rebelião. Pressionou, avançou, tentou acreditar. Mas o Vitória, como um dono de casa que conhece cada canto do seu território, respondeu com autoridade.
Baralhas roubava bolas como quem rouba esperança. Renê quase marcou novamente, salvo por um milagre em cima da linha. Matheuzinho, por um instante, preferiu o drible ao gol — como se quisesse prolongar o sofrimento adversário.
O terceiro gol demorou, mas chegou com elegância. Lucas Silva invadiu a área e finalizou com beleza, como quem assina uma obra. Era o fim — embora o futebol, caprichoso, ainda reservasse um último ato.
Marlon diminuiu. Um gesto quase simbólico. Um gol que não mudava o enredo, apenas tornava o drama mais humano. Mas o Vitória não admite epílogos ambíguos. Erick, de fora da área, decretou o 4 a 1 com um chute que parecia dizer: “Aqui, a história já foi escrita”.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Renê, em sua estreia como titular, abriu o caminho e quase ampliou. Lucas Silva, vindo do banco, marcou um gol que não foi apenas bonito — foi definitivo. Erick, o melhor em campo, misturou assistência e gol como quem rege uma sinfonia.
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Com o resultado, o Vitória assume a liderança do Grupo A, com seis pontos, superando o Sousa no critério de gols marcados. A Juazeirense, com quatro pontos, permanece no topo do Grupo B, sustentada pelo saldo.
CLASSIFICAÇÃO DA COPA DO NORDESTE
O Vitória volta a campo contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, antes de enfrentar o Piauí, novamente no Barradão, pela Copa do Nordeste. Já a Juazeirense encara o Atlético de Alagoinhas e, depois, o Sousa.
No fim, o placar diz 4 a 1. Mas o futebol — esse cronista implacável — dirá outra coisa: que o Vitória não venceu apenas um jogo. Venceu a si mesmo, e isso é infinitamente mais raro.
Fonte: EC Vitória



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